Angola celebra 50 anos de Independência

Colónia portuguesa desde a época da Expansão Marítima, Angola vê o seu desejo de independência ser conseguido já em pleno século XX, mais precisamente depois dos eventos militares e políticos ocorridos "em Portugal, aquando da Revolução dos Cravos, em 25 de abril de 1974." A revolução portuguesa que tinha por objetivo acabar com a ditadura que vigorava desde 1933, tinha também nos seus planos terminar com a guerra colonial que desde 1961 opunha "os militares portugueses e os movimentos nacionalistas emergentes nas colónias africanas."


No dia 10 de novembro de 1975, por volta das "12 horas da tarde," o "Almirante Leonel Cardoso, realizou uma cerimónia solene no salão nobre do Palácio do Governador, onde declarou o fim da administração portuguesa" e na qual entregou simbolicamente "a soberania ao Povo Angolano". Esta passagem de soberania, "não teve um destinatário," o que fez com que a guerra civil continuasse, mas agora, sem a presença dos militares portugueses. "O Alto-Comissário e os membros de seu gabinete retiraram-se do Palácio com destino à Fortaleza de São Miguel de Luanda," onde naquele dia fizeram arrear a "última bandeira portuguesa em solo angolano". Nos mesmos navios que antes tinham trazido as tropas portuguesas - "Niassa" e "Uíje" -, o Alto-Comissário português, seguiu para a Base Naval de Luanda, onde embarcou junto com os funcionários do seu gabinete e com o próprio Comando Militar, marcando assim "o encerramento definitivo da colonização portuguesa." 


Foi o MPLA que acabou por ficar com o controle de Luanda e que "proclamou a Independência da República Popular de Angola (RPA) às 23h de 11 de novembro de 1975 no Largo da Independência (ou Primeiro de Maio), pela voz de Agostinho Neto."


No entanto, a independência não ocorreria de forma pacífica: paralelamente à proclamação do MPLA, "Holden Roberto, líder da FNLA, proclamava a Independência da República Popular Democrática de Angola (RPDA) à meia-noite do dia 11 de novembro, no Ambriz. Nesse mesmo dia a independência da RPDA foi também proclamada em Huambo por Jonas Savimbi, líder da UNITA." A guerra civil, que estava em curso desde fevereiro de 1975 e que envolvia estes três movimentos, reiniciou-se. Nem a FNLA, nem a UNITA, "se conformaram" com o facto de terem sido derrotados e excluídos "do sistema político." A guerra civil, que acabaria por durar cerca de 25 anos e terminar apenas com a morte de Jonas Savimbi, líder da UNITA, "custou milhares de mortos e feridos" e levou à destruição de várias "aldeias, cidades e infraestruturas (estradas, caminhos de ferro, pontes e aeroportos)."


E hoje, o governo angolano celebra com pompa e circunstância.


O atual presidente, João Lourenço, num discurso que se iniciou com mais de uma hora de atraso, defendeu o multilateralismo, por ser "o único modelo inclusivo e capaz de congregar todas as nações do planeta à volta da abordagem dos grandes, e insistiu na necessidade de reforma do sistema das Nações Unidas, por não refletir mais a realidade do equilíbrio de poderes e da configuração geopolítica mundial." Passados 50 anos desta data, Agostinho Neto é condecorado a título póstumo. 


João Lourenço, criticou as Nações Unidas e falou sobre o facto do país ter passado por vários conflitos e ter desenvolvido uma sensibilidade "muito especial" para as questões da guerra, da paz e da liberdade e independência dos povos. O presidente relembrou também que, depois de “vencer o colonialismo português, que (os) oprimiu e escravizou durante séculos”, Angola teve de “enfrentar o regime retrógrado do Apartheid, que representava uma ameaça permanente aos povos de África Austral e de Angola em particular," batendo-se pela preservação da  "independência e soberania nacional" durante o período da "Guerra Fria." Além de lamentar o aparecimento e proliferação de grupos terroristas que tem vindo também a ocorrer em diversos pontos de África, João Lourenço "apelou ao fim da guerra contra a Ucrânia," bem como "à resolução do conflito no Médio Oriente," afirmando como "imperiosa" a "necessidade da criação do Estado da Palestina". Referiu ainda a situação que se vive no "Sahel, no Sudão e na República Democrática do Congo," locais onde "as guerras ameaçam a balcanização desses países", bem como com "o flagelo dos golpes de Estado e das mudanças inconstitucionais em África", que "voltaram a ganhar força e contornos preocupantes".


Terminada a guerra civil, "o governo angolano apostou na exploração dos importantes recursos naturais em que  se incluem o petróleo e os diamantes, realizando também grandes investimentos em diversas áreas." No entanto, Angola continua, "a integrar a lista dos países com baixo índice de desenvolvimento humano. população vive em grandes dificuldades, reinvindicando melhores condições de vida."


Um dos perigos que a população ainda hoje enfrenta, são as minas terrestres que até hoje se encontram no solo e que tornam o uso dos terrenos, até agora, impossível por ser extremamente perigoso.


 


Sobre Agostinho Neto:


Agostinho Neto nasceu em Portugal e foi por cá que frequentou a "Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra e depois a Faculdade de Medicina de Lisboa." Foi um dos "fundadores da Casa de Estudantes do Império e do clandestino Centro de Estudos Africanos," em Portugal, "revelando-se um a contestatário ao regime e ao colonialismo." Nessa oposião premente, "é preso pela PIDE" em 1948, ficando "detido durante três meses." Acaba por assumir "o lugar de representante da juventude africana no MUD-Juvenil, um movimento democrático que surgiu no final dos anos 40 do século passado." Voltaria a ser novamente preso pela PIDE.


Em 1956, Agostinho Neto junta-se aos "fundadores do MPLA." 


Em 1960 é preso, "devido à contestação local que cresce, é enviado de regresso à metrópole para cumprir pena, mas acaba deportado para Cabo Verde," sendo "libertado em 1962 para voltar a ser preso e regressar a Lisboa. Quando é libertado escapa com a família para o Congo. A ação militar e política do MPLA passa a ser coordenada do estrangeiro."


Depois da Revolução dos Cravos, "regressa a Luanda para participar nas conversações com vista à independência do país e assina os acordos de Alvor." Com sabemos, em "novembro de 1975, é proclamado Presidente da República de Angola, numa altura em que o país já está envolto numa guerra civil entre os vários movimentos de libertação do país – MPLA, FNLA e UNITA."


"Agostinho Neto assume o comando militar das forças do seu partido partindo para a conquista da capital e da maior parte do país até fins de 1976." Não chega a ver o fim da guerra, tendo falecido a "10 de setembro de 1979, em Moscovo, de complicações resultantes de tratamentos a um cancro que tinha no fígado."


Fontes:


https://www.rtp.pt/noticias/mundo/dezenas-de-delegacoes-em-luanda-angola-assinala-50-anos-da-independencia_e1697232


https://pt.wikipedia.org/wiki/Independ%C3%AAncia_de_Angola


https://pt.wikipedia.org/wiki/Guerra_Colonial_Portuguesa


https://ensina.rtp.pt/artigo/angola-depois-independencia/


https://ensina.rtp.pt/artigo/agostinho-neto-o-primeiro-presidente-de-angola/


 

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