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A mostrar mensagens de outubro, 2025

O naufrágio do Roumania

O naufrágio do Roumania foi há 125 anos e, do navio inglês, já pouco resta.  "Imprevidência do comandante, mau tempo, distração do piloto, não avistamento dos faróis de Peniche e da Berlenga, ou uma conjugação de tudo isto. As causas do naufrágio permanecem desconhecidas." Este pode mesmo  ter sido "um dos maiores desastres ocorridos na costa portuguesa em termos de perda de vidas humanas," e terá ocorrido na noite de 27 para 28 de Outubro de 1892. "Só se sabe que o navio inglês se desviou 20 milhas da sua rota e naufragou no areal a sul da Foz do Arelho," nas Caldas da Rainha. "A maioria dos passageiros e tripulantes nem se deu conta que estava tão perto de terra firme." Entre os seus ocupantes seguiam cerca de 50 " Lascares (embarcadiços indianos que prestavam serviço nos navios ocidentais)," 18 tripulantes europeus de várias nacionalidades e "46 passageiros, incluindo 3 crianças e 5 bebés" (os números podem mudar conforme a...

Lisboa, Reconquista cristã

Hoje vamos dar um saltinho até ao século XII e visitar Lisboa. Nesta época, Portugal era já um território em que o litoral estava mais povoado que o interior e " Lisboa era um ponto estratégico importante" . Um estado acabado de nascer e que ainda lutava por recuperar as terras perdidas para os povos muçulmanos vindos do norte de África e que D. Afonso Henriques tentava empurrar cada vez mais para sul. Portugal encontrava-se envolvido na reconquista de território aos mouros desde a sua fundação em 868. "Em 1128, Afonso Henriques assumiu o governo do  condado portucalense  após a  Batalha de São Mamede  e em 1139 declarou a independência." Em 1142, D. Afonso Henriques, tinha já tentado entrar em "Lisboa com o auxílio de uma frota de cruzados a caminho da Terra Santa," mas não tinha sido bem sucedido. Durante os anos seguintes, tentou ter novamente o apoio dos cruzados e é quando finalmente sabe que "u ma nova frota de cruzados" passará "por P...

ONU - 80 anos

A ONU nasceu a 24 de outubro de 1945, na cidade de S. Francisco na Califórnia, EUA. Nasceu das conferências de paz que se seguiram à Segunda Guerra Mundial que deixou muitas cidades destruídas, dentro e fora da Europa. A Carta das Nações Unidas, da qual hoje celebramos 80 anos, foi assinada inicialmente por 50 países. O nosso país  não integrou o núcleo fundador da organização e apenas em 1955, dez anos depois do seu aparecimento, é que foi tomada a decisão de integrar a ONU. A ONU foi, de facto, como que uma segunda tentativa para criar uma união entre as nações com o propósito de estabelecer relações mais amistosas entre estas. Ño fundo, queria-se evitar um novo conflito. A primeira tentativa tinha acontecido com a formação da Liga das Nações, no fim da Primeira Guerra Mundial, a qual acabou por fracassar. No preâmbulo da Carta das Nações Unidas pode-se ler: “Nós, os povos das Nações Unidas, decididos: a preservar as gerações vindouras do flagelo da guerra que por duas vezes, no espa...

A "Noite Sangrenta"

Há dias falei da revolta de maio de 1915. Ora apenas alguns anos mais tarde, a 19 de outubro de 1921, ocorreu uma nova revolta que envolveu a   Guarda Nacional Republicana, a Marinha Portuguesa   e outros arsenalistas. No decorrer desta revolta, foram mortas várias pessoas, entre as quais,  " António Granjo, então   presidente do Ministério,   Machado Santos   e   José Carlos da Maia, dois dos históricos da   Proclamação da República Portuguesa, o comandante   Freitas da Silva, secretário do   Ministro da Marinha, e o coronel   Botelho de Vasconcelos, no   Arsenal da Marinha." Esta revolta terá tido a sua origem durante o período da crise política de 1920-1921, um período de grande debilidade da república instaurada poucos anos antes e que não havia meio de se firmar com a estabilidade necessária à evolução do país. Afinal, Portugal ainda se encontrava a recuperar dos danos da 1ª Guerra, na qual apesar de não ter tido um p...

A sangrenta revolta de maio de 1915

Ainda sobre o tema da 1º República e da sua fragilidade, não nos podemos esquecer que, durante os poucos anos que durou, esta contou com 45 governos que se iam sucedendo de forma mais ou menos violenta. A revolta de 14 de maio de 1915, foi considerada como a "mais sangrenta revolta do século XX português." Infelizmente, não é falada e muitos desconhecem a sua história. A realidade de que pouco nos lembramos é que o século XX português foi recheado de revoltas, golpes e contra-golpes, muitos doas quais apoiados ou despoletados pelos ramos militares. Este foi um dos vários   golpes de estado  que afetaram Portugal.  "Liderado por  Álvaro de Castro  e pelo general  Sá Cardoso ," o golpe de 14 de maio de 1915, viria a colocar em lados opostos o  Partido Democrata e o Partido Progressista. Estavamos num período de grande agitação social. Pimenta de Castro , que em 1911, tinha sido   ministro da Guerra ,  "por apenas dois meses," havia sido agora nomeado como in...

As primeiras autárquicas

Em 1974, o país passou por uma grande mudança. Falamos muito da noite de 24 para 25 de abril, mas esquecemo-nos que depois houve todo um período em que os portugueses tiveram de aprender a viver em democracia. Entre o fim de uma monarquia (já com traços liberais é certo) e a passagem para um regime ditatorial, passamos por uma tentativa da República se impor. " A 1.ª República inicia-se com a proclamação da República a 5 de Outubro de 1910 e acaba com o Golpe de 28 de Maio de 1926 que dissolve o Parlamento e governa em ditadura militar."  Apesar das vontades, foi difícil e a dificuldade moldou um conjunto de homens e de mulheres que sabiam que aquele era o caminho, mas que viviam num país escuro e ainda muito fechado. Aprópria República foi logo interrompida pouco tempo depois pela ditadura militar de  "Sidónio Pais, com o apoio do Partido Unionista." O início do século XX, foi difícil para a Europa, mas moldou o povo.  E 1974 trouxe então o direito a intervir nas d...

Nascimento de D. Dinis - o Lavrador

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D. Dinis de Portugal, nasceu em Lisboa, a 9 de outubro de 1261 e viria a ganhar os cognomes de "O Trovador" pela sua reconhecida Poeia e pela proteção dada aos "trovadores" e de "Lavrador", pelos incentivos à "agricultura," durante o seu reinado. Além disso, Terá sido o primeiro monarca português verdadeiramente alfabetizado, tendo assinado sempre com o nome completo.  Era filho de D.  Afonso III com D. Beatriz de Castela (sua segunda esposa). Do lado paterno, pertencia à Casa Real Portuguesa, descendente direta da Casa Ducal da Borgonha, enquanto que pelo lado materno, descendia de importantes personalidades como Afonso X de Leão e Castela, Henrique II de Inglaterra ou Filipe da Suábia.  Como herdeiro da coroa, o infante D. Dinis desde cedo foi envolvido pelo seu pai nos aspetos ligados ao governo do reino. Quando D. Afonso III morre a 16 de fevereiro de 1279, deixa um reino com uma acentuada estabilidade interna, resultante de uma autoridade ré...

A Revolta dos Generais

Passaram-se 100 anos (mais propriamente a 18 de abril de 1925) que foi desencadeada uma revolta militar "contra as instituições da   Primeira República Portuguesa." Hoje venho assinalar esta data (embora já fora do centenário) pois celebrámos, nos últimos dias, a Instauração da República e, não obstante parecer que são outros tempos e que hoje já temos uma democracia segura, temos de nos lembrar sempre que, tal como a democracia e a república caíram antes, pode voltar a acontecer. Este movimento revoltoso contou com a participação de cerca de seis dezenas de revoltosos e acaba por ser depois seguido por outros dois golpes: o de Mendes Cabeçadas (d eputado de 1911 e 1915), que ocorreria  a 19 de julho de 1925 e o golpe de 28 de Maio de 1926 (também chamado "Revolução Nacional" e que faz cair a 1ª República), tendo tido "o apoio da Cruzada Nun’Álvares." Pode-se dizer que teve um "carácter nacionalista," tendo assumido "claras semelhanças com o...

Uma sucessão de erros e mal entendidos...

No dia 5 de outubro de 1910, o país deixou a Monarquia para sempre e a República impôs-se, finalmente, apoiada pela pequena e média burguesia e pelo operariado. A República nasceu de um golpe militar, preparado durante vários meses e que iria ter início na noite de 3 para 4 de outubro.  A ideia vinha já de há muitos anos, de um ideal de republicanismo que desejava mudar o sistema de governação, com a  substituição da monarquia e com a queda da "figura do rei" que seria substituído "por um regime presidencial apoiado numa assembleia que reunisse representantes votados pela população". Estas "ideias republicanas" começaram a brotar "durante a Revolução Liberal de 1820," mas é sobretudo depois da  "fundação do Partido Republicano Português (PRP) em 1883 – fruto da união de várias pequenas facções desta ideologia – que a discussão se torna mais séria." O descontentamento com os acontecimentos ocorridos na Conferência de Berlim e a cedência ...

Em vésperas de se celebrar a "República"

    Hoje recupero um post que fiz há exatamente um ano, no blog "Caderno Diário" e onde eu recordava a história de Cândido dos Reis:  O almirante que não chegou a ver a República.   Carlos Cândido dos Reis nasceu  em 1852, em Cabo-Verde e morreu em 1910, na Travessa das Freiras, em Arroios. Foi vice-almirante, tendo entrado para a Marinha com apenas 17 anos. Entre outras coisas destacou-se como pertencendo à "Carbonária," iniciando-se ainda, diz-se, na "Maçonaria em 9 de dezembro de 1909 por Magalhães Lima, com o nome simbólico de Pêro de Alenquer" Anticlericarista,  destacou-se como uma das figuras que preparou a revolução, mas teve a infelicidade de não assistir à mesma. Depois do " golpe fracassado de  28 de janeiro  de  1908 , que devia começar com a prisão de  João Franco , então chefe do governo," o desânimo não o fez desistir e rapidamente se reergueu na luta, transformando-se num dos organizadores militares que poriam na rua a "revol...