Nascimento de D. Dinis - o Lavrador
D. Dinis de Portugal, nasceu em Lisboa, a 9 de outubro de 1261 e viria a ganhar os cognomes de "O Trovador" pela sua reconhecida Poeia e pela proteção dada aos "trovadores" e de "Lavrador", pelos incentivos à "agricultura," durante o seu reinado. Além disso, Terá sido o primeiro monarca português verdadeiramente alfabetizado, tendo assinado sempre com o nome completo.
Era filho de D. Afonso III com D. Beatriz de Castela (sua segunda esposa). Do lado paterno, pertencia à Casa Real Portuguesa, descendente direta da Casa Ducal da Borgonha, enquanto que pelo lado materno, descendia de importantes personalidades como Afonso X de Leão e Castela, Henrique II de Inglaterra ou Filipe da Suábia. Como herdeiro da coroa, o infante D. Dinis desde cedo foi envolvido pelo seu pai nos aspetos ligados ao governo do reino. Quando D. Afonso III morre a 16 de fevereiro de 1279, deixa um reino com uma acentuada estabilidade interna, resultante de uma autoridade régia incontestada, em contraste com o estado geral em que se encontrava o reino de Castela, onde imperava um acentuado clima de ingovernabilidade e de permanentes conflitos sociais. Apesar de já ter 17 anos (sendo considerado já maior de idade, para a época), a sua mãe D. Beatriz ficou como regente do reino, mas D. Dinis rejeita desde logo essa regência e afasta a mãe de qualquer participação na governação. Este conflito acaba por levar mesmo à intervenção do avô, Afonso X, que terá tentado encontrar-se com o neto em Badajoz, encontro que o próprio D. Dinis rejeitou.
Em 1282, com 20 anos, casa-se com Isabel de Aragão (considerada anos mais tarde "Rainha-Santa") que tinha apenas 11 anos quando contraiu matrimónio, e era filha de Pedro III.
Mas o casamento não refreou os ímpetos do rei, que gerou pelo menos meia dúzia de bastardos de diferentes amantes. O especial carinho por um deles, Afonso Sanches, provocou ciúmes ao herdeiro legítimo, o futuro D. Afonso IV, que por causa disso se viria a revoltar contra o pai, contra quem havia de fazer frente com as suas tropas, dando origem à guerra civil de 1319-1324. Em 1322, D. Dinis sofre aquilo que pode ter sido um acidente vascular cerebral e que o faz ficar numa situação crítica e até dependente, acabando por fazer as pazes com o filho em 1324. Mas esta situação fez também com que Afonso pedisse ao pai para abdicar a seu favor, algo que o monarca recusou.
D. Dinis foi o sexto rei de Portugal, um homem que, durante quase meio século de governo, consolidou as fronteiras, revolucionou a agricultura (daí o cognome O Lavrador), revitalizou a exploração mineira e impulsionou o comércio. Foi o responsável pela criação da primeira Universidade portuguesa, inicialmente instalada em Lisboa e depois para Coimbra. Travou uma guerra civil (1319-1324) e ainda teve tempo para escrever poesia (é autor de dezenas de cantigas de amor e de amigo, referência das letras trovadorescas em Portugal e fora dele). Os forais que deu a muitas localidades estimularam a fixação das populações, beneficiando vastas áreas até então incultas, designadamente na Beira Alta e em Trás-os-Montes. A sua política centralizadora foi articulada com importantes acções de fomento económico - como a criação de inúmeros concelhos e feiras.
Ao assinar com Fernando IV de Leão e Castela o Tratado de Alcanizes, em 1297, D. Dinis fez da fronteira portuguesa “o mais antigo limite político da Europa.” Este Tratado vem da devolução das vilas de Moura e Serpa, dos castelos de Mourão e Noudar, e ainda dos castelos e das vilas de Arronches e de Aracena, entregues a Aragão aquando do seu casamento com Isabel. Neste tratado ficaram combinados os casamentos dos infantes Constança e Afonso, filhos de Dinis, com o rei Fernando IV de Castela e a infanta Beatriz de Castela, respetivamente, um duplo casamento para reforçar a aliança e a garantia de paz de Castela com Portugal.
Em 1308 assinou o primeiro acordo comercial português com a Inglaterra. Em 1312 fundou a marinha Portuguesa, nomeando 1º Almirante de Portugal, o genovês Manuel Pessanha, e ordenando a construção de várias docas. É durante o seu reinado, que os documentos oficiais passam a ser escritos em português. D. Dinis “nacionalizou” as ordens religiosas-militares e, ao criar a Ordem de Cristo (1315), salvou os templários portugueses da perseguição movida pelo rei de França Filipe IV, o Belo, e pelo papa Clemente V.
No primeiro dos testamentos que deixou, o de 1318, D. Dinis determinou que o Mosteiro de Odivelas, cuja construção começou em 1295, deveria receber o seu túmulo e o da mulher, D. Isabel. Mas, num segundo documento, quatro anos mais tarde, muda de ideias. Para essa deriva de opinião terá contribuído a questão da guerra civil que opôs D. Dinis ao filho Afonso.
Dom Dinis faleceu a 7 de Janeiro de 1325, com sessenta e três anos, sendo aclamado seu filho Afonso IV rei de Portugal. De referir que D. Dinis, foi o primeiro monarca português a receber autorização do próprio Papa para ser colocado dentro de uma igreja e não num espaço anexo, como era hábito. O rei repousa assim há 700 anos em Odivelas, numa magnífica sepultura, sob arcadas góticas, rodeado de monges cistercienses e monjas em pose, mas a sua espada, com a qual teria sido enterrado, há muito tinha desaparecido. Falo também sobre este rei e sobre a descoberta da sua espada, no meu outro blogue Caderno Diário.

Fontes:
Imagem: https://zap.aeiou.pt/espada-desaparecida-de-d-dinis-desenterrada-tumulo-504591
https://www.ebiografia.com/dom_diniz_i/
https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/tumulo-do-rei-d-dinis-um-pouco-da-191598
https://pesnahistoria.blogs.sapo.pt/tratado-de-alcanizes-3558?tc=210208096277
https://www.mundoportugues.pt/2019/12/25/os-grandes-reis-de-portugal-d-dinis/
https://monarquiaportuguesa.blogs.sapo.pt/espada-do-rei-d-dinis-retirada-do-1059900
https://www.cm-odivelas.pt/autarquia/noticias/noticia/espada-de-d-dinis-retirada-do-tumulo
https://anodomdinis.blogs.sapo.pt/dom-dinis-morreu-ha-691-anos-1234
https://monarquiaportuguesa.blogs.sapo.pt/reis-de-portugal-dinis-i-de-portugal-408425
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