A sangrenta revolta de maio de 1915
Ainda sobre o tema da 1º República e da sua fragilidade, não nos podemos esquecer que, durante os poucos anos que durou, esta contou com 45 governos que se iam sucedendo de forma mais ou menos violenta. A revolta de 14 de maio de 1915, foi considerada como a "mais sangrenta revolta do século XX português." Infelizmente, não é falada e muitos desconhecem a sua história. A realidade de que pouco nos lembramos é que o século XX português foi recheado de revoltas, golpes e contra-golpes, muitos doas quais apoiados ou despoletados pelos ramos militares.
Este foi um dos vários golpes de estado que afetaram Portugal. "Liderado por Álvaro de Castro e pelo general Sá Cardoso," o golpe de 14 de maio de 1915, viria a colocar em lados opostos o Partido Democrata e o Partido Progressista.
Estavamos num período de grande agitação social. Pimenta de Castro , que em 1911, tinha sido ministro da Guerra, "por apenas dois meses," havia sido agora nomeado como independente por Manuel de Arriaga, para ser "presidente do Ministério (atual primeiro-ministro)." Teria de governar sem o apoio do restante parlamento, no qual era "o Partido Democrático, liderado por Afonso Costa" que detinha a maioria. Assim e mesmo sem contar com o apoio da população, Pimenta de Castro tinha tentado avançar para a "implantação de uma ditadura," o que não agradou aos democratas, apoiados sobretudo pela Carbonária. O Partido Democrático, aproveitando "o descontentamento popular," começou por apelar "à realização de manifestações, entre 14 e 19 de maio."
Na noite de 14 de maio, "mais de sete mil homens – membros da Carbonária, GNR e exército – ocuparam o Arsenal da Marinha," opondo-se à recente nomeação do general Pimenta de Castro para primeiro-ministro. O cruzador "Vasco da Gama", que se encontrava fundeado no Tejo e obedecendo "às ordens de Leote do Rego," e em conjunto com outras embarcações de guerra, lançou tiros sobre a cidade. Seguiram-se vários tiroteios. Em Lisboa, "faleceram mais de 200 pessoas e mais de 1000 foram feridas," houve ainda o registo de pelo menos dois mortos e " mais de duas dezenas de feridos" no Porto. "Apesar das tréguas na tarde de 14, só três dias depois, a 17, o fogo acabou."
Foi formada uma Junta revolucionária, presidida por João Pinheiro Chagas (que vinha de Paris e fora convidado a formar executivo na fronteira portuguesa) e foi deposto o governo de Pimenta de Castro. Este movimento revolucionário levou ainda à demissão do presidente Manuel de Arriaga, substituído pouco tempo depois, em eleições, por Teófilo Braga. O governo foi substituído pela Junta Constitucional de 1915 e "a Constituição Portuguesa de 1911," foi reposta.
Na madrugada de 16 para 17 de maio, em sequência da revolta que ocorria, o senador João José de Freitas, na "estação da Barquinha, nos arredores do Entroncamento," entrou "na carruagem onde viajava o potencial chefe do novo governo acompanhado pela esposa e desferiu cinco tiros de pistola, três dos quais atingiram João Pinheiro Chagas de raspão na cabeça" e lhe arrancaram "um olho". Este ato levou a que o agressor fosse "linchado pela multidão."
O Presidente, Manuel de Arriaga, acaba por ser afastado, mas não sem antes tentar mediar as negociações para resolver a situação. A 26 de Maio de 1915, sai "do Palácio de Belém escoltado por forças da Guarda Republicana."
O fim da revolta envolveu a "intervenção da marinha de guerra espanhola com o envio do couraçado España, e com a correspondente reação da marinha britânica e francesa, que também enviaram contingentes navais para Portugal." Mas se esta revolta terminou, outras se haveriam de seguir: apesar de tudo, os portugueses não são um povo impávido e sereno como muitos querem fazer parecer. E o século XX teve bons exemplos disso.
Fontes:
https://ensina.rtp.pt/artigo/a-revolta-de-14-de-maio-de-1915/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Jo%C3%A3o_Chagas
https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_de_14_de_Maio_de_1915
https://www.infopedia.pt/artigos/$revolta-de-14-de-maio-de-1915
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