A Revolta dos Generais
Passaram-se 100 anos (mais propriamente a 18 de abril de 1925) que foi desencadeada uma revolta militar "contra as instituições da Primeira República Portuguesa." Hoje venho assinalar esta data (embora já fora do centenário) pois celebrámos, nos últimos dias, a Instauração da República e, não obstante parecer que são outros tempos e que hoje já temos uma democracia segura, temos de nos lembrar sempre que, tal como a democracia e a república caíram antes, pode voltar a acontecer.
Este movimento revoltoso contou com a participação de cerca de seis dezenas de revoltosos e acaba por ser depois seguido por outros dois golpes: o de Mendes Cabeçadas (deputado de 1911 e 1915), que ocorreria a 19 de julho de 1925 e o golpe de 28 de Maio de 1926 (também chamado "Revolução Nacional" e que faz cair a 1ª República), tendo tido "o apoio da Cruzada Nun’Álvares." Pode-se dizer que teve um "carácter nacionalista," tendo assumido "claras semelhanças com o golpe de Primo de Rivera em Espanha," o qual tinha ocorrido cerca de dois anos antes, a 13 de setembro de 1923 e que instaurou uma ditadura autoritária e conservadora em Espanha.
Parte da organização do movimento coube ao "capitão-de-fragata Filomeno da Câmara," (que havia sido governador de Timor entre 1911 e 1913), ao "general João José Sinel de Cordes," ao "coronel Raul Augusto Esteves" e ao "capitão Jaime Baptista." O grupo de revoltosos juntou-se na "Rotunda, com o batalhão de metralhadoras, o batalhão de sapadores de caminhos-de-ferro e a artilharia de Queluz."
No dia seguinte, em nome dos revoltosos que tinham ocupado a Rotunda, "Sinel de Cordes vai ao Quartel do Carmo tentar a conciliação." No entanto, a tentativa falhou. A negociação com o Presidente Teixeira Gomes, teria o objetivo de formar um novo governo, do qual teria de fazer parte "Filomeno da Câmara, numa tentativa de resolver o golpe militar," levando pelo contrário à demissão do Ministro da Guerra, "general Vieira da Rocha, que defendera um entendimento com os sediciosos," e à prisão de "vários deputados nacionalistas."
Entretanto os jornais "O Século e o Diário de Notícias são suspensos e Cunha Leal, que não teria qualquer ligação com o episódio, é preso. Para o jugular do golpe teve especial destaque a acção do Ministro da Marinha, o almirante Pereira da Silva."
Mas como é que se chegou a este ponto? A verdade é que temos de perceber que os governos se foram sucedendo de a um ritmo alucinante e faltava estabilidade política, económica e social a um país que acabou por ter de entrar na guerra e que com isso sofreu. Foi então admitido "a partir de 1923, a possibilidade de regenerar a República por uma «ditadura temporária» – um interregno parlamentar com reforço do poder
executivo exercido por personalidades de reconhecida craveira técnica e elevado sentido nacional e patriótico." Durante este período, cresceram os "movimentos anarquistas e monárquicos, que usavam a violência como forma de protesto ou ação." Sucederam-se várias tentativas de golpes monárquicos e as greves e tumultos eram frequentes.
A intenção deste golpe, realizado por defensores da direita nacionalista, pode ter várias vsões, uma das quais passa pela "intenção instituir um regime de tipo fascista" em Portugal e, nesta medida, "a tentativa pode ser apontada como precursora do golpe vitorioso do ano seguinte, que deu início à Ditadura Militar."
De facto, em 1914 tinha já havido uma das mai sangrentas revolta do país. Já em 1923, dois anos antes e sob o efeito de uma "fortíssima crise política, económica e financeira," que tinha resultado entre outras coisa na falência de cinco bancos nacionais, o presidente da República Manuel Teixeira Gomes" tinha feito uma tentativa de organizar "um «governo nacional», que unisse democráticos e nacionalistas sob a égide de Afonso Costa." No entanto, esta tentativa acabou por falhar e o jogo de cadeira que se seguiu acabou por levar a uma "crise geral" que só terminaria "com a queda da I República." Os núcleos monárquicos continuavam também a tentar impôr-se através de tentativas de golpe, as quais iam sucessivamente falhando, como foi o caso de "três oficiais monárquicos" que a 5 de março de 1925 se tinham tentado apossar "do quartel-general da guarnição militar de Lisboa."
Perante a sucessão de acontecimentos de 1925, "Teixeira Gomes sentindo, por um lado, que as forças republicanas estão cada vez mais isoladas e desunidas, e, por outro, que não dispõe de poderes para poder intervir no quadro legal imposto pela Constituição, resigna do seu mandato," a 11 de dezembro, tendo embarcado "no paquete grego Zeus," a 17 de dezembro e "não regressando mais em vida a Portugal."
Fontes:
FARINHA, Luís (2009), Ditadura ou Revolução? - A herança política e os caminhos incertos dos herdeiros da I República
https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_de_18_de_Abril_de_1925
https://viajandonotempo.blogs.sapo.pt/26796.html
"Anuário de 1925", https://maltez.info/respublica/portugalpolitico/acontecimentos/1925.htm
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