O naufrágio do Roumania
O naufrágio do Roumania foi há 125 anos e, do navio inglês, já pouco resta. "Imprevidência do comandante, mau tempo, distração do piloto, não avistamento dos faróis de Peniche e da Berlenga, ou uma conjugação de tudo isto. As causas do naufrágio permanecem desconhecidas." Este pode mesmo ter sido "um dos maiores desastres ocorridos na costa portuguesa em termos de perda de vidas humanas," e terá ocorrido na noite de 27 para 28 de Outubro de 1892.
"Só se sabe que o navio inglês se desviou 20 milhas da sua rota e naufragou no areal a sul da Foz do Arelho," nas Caldas da Rainha. "A maioria dos passageiros e tripulantes nem se deu conta que estava tão perto de terra firme." Entre os seus ocupantes seguiam cerca de 50 "Lascares (embarcadiços indianos que prestavam serviço nos navios ocidentais)," 18 tripulantes europeus de várias nacionalidades e "46 passageiros, incluindo 3 crianças e 5 bebés" (os números podem mudar conforme a Fonte consultada), "sobretudo militares, missionários e funcionários civis ou familiares destes, que se dirigiam para a Índia, na altura, sob o domínio Inglês."
Depois de encalhar, o navio acabou por se partir, devido à "força das ondas." Apenas se "salvaram dois passageiros, militares, e sete Lascares." Mais tarde, seriam recuperados alguns bens, entre os quais, "tecidos de chita que viajavam a bordo do navio, uma lanterna a petróleo que se presume ter pertencido ao Roumania e uma colher de prata da companhia marítima proprietária do navio."
"O capitão do navio, que aparecera no convés em pijama, foi dos primeiros a ser levado pelas ondas. Disseram alguns que terá querido suicidar-se, ao dar conta do desastre; mas é impossível saber o que aconteceu realmente."
Diz-se que ao descobrirem o navio naufragado e os corpos das vítimas, muitos os assaltaram, levando tudo o que puderam, chegando mesmo a arrancar "os brincos a uma pobre morta." Dos muitos corpos, "apenas foram recuperados menos de meia centena," tendo os restantes sido arrastados pelo mar.
"O Embaixador Britânico em Lisboa, Sir Georgle Flynn Petre (1822-1905), dirigiu-se ao Governo Português pedindo fossem tomadas medidas para proteger os cadáveres e as suas propriedades, bem como a carga que se encontrava a bordo do navio." Nos meses seguintes, além de se tentar encontrar uma causa ou um culpado, tentou-se saber se o navio estaria nas devidas condições para navegar. O certo é que o navio "levava 120 cintos salva-vidas, mas o Cap. Hamilton não conseguiu encontrar nenhum, procurando em três cabinas (o navio tinha 11 cabinas)." Ter-se-á na altura afirmado "que os cintos terão sido retirados para arranjar espaço para as bagagens dos passageiros."
Dos 6 botes salva-vidas existentes no navio e "que deveriam chegar para 202 pessoas," só um conseguiu ser colocado a tempo na água. Outros factos terão contribuúido para o desastre, entre os quais, o tempo entre os clarões dos faróis. Na altura, ao que se pensa, o "farol das Berlengas tinha boa luz, mas só dava o clarão de 3 em 3 minutos. Este intervalo era muito longo. Se havia uma nuvem a passar tapando um clarão, ficava-se 6 minutos sem o ver."
Também se colocou a hipótese de um dos tripulantes ter "confundido o farol do Cabo Mondego com o das Berlengas, enganando-se assim na posição e na rota do navio. Ficou claro que, depois de o navio encalhar, os oficiais de bordo não se capacitaram da perigosíssima situação em que o navio se encontrava e, por isso, não alertaram os passageiros."
Ainda hoje, existe "algum pudor em mostrar artefactos do saque a que foi sujeito o navio que naufragou em 28 de Outubro de 1892 em frente à rocha do Gronho, na Foz do Arelho. Nele, morreram 133 pessoas, tendo sobrevivido dois oficiais britânicos e sete tripulantes indianos."
https://www.publico.pt/2017/10/28/local/noticia/naufragio-do-roumania-foi-ha-125-anos-1790375
CORREIA, Arlindo, in https://arlindo-correia.com/061010.html
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