Lisboa, Reconquista cristã

Hoje vamos dar um saltinho até ao século XII e visitar Lisboa. Nesta época, Portugal era já um território em que o litoral estava mais povoado que o interior e "Lisboa era um ponto estratégico importante". Um estado acabado de nascer e que ainda lutava por recuperar as terras perdidas para os povos muçulmanos vindos do norte de África e que D. Afonso Henriques tentava empurrar cada vez mais para sul. Portugal encontrava-se envolvido na reconquista de território aos mouros desde a sua fundação em 868. "Em 1128, Afonso Henriques assumiu o governo do condado portucalense após a Batalha de São Mamede e em 1139 declarou a independência."


Em 1142, D. Afonso Henriques, tinha já tentado entrar em "Lisboa com o auxílio de uma frota de cruzados a caminho da Terra Santa," mas não tinha sido bem sucedido. Durante os anos seguintes, tentou ter novamente o apoio dos cruzados e é quando finalmente sabe que "uma nova frota de cruzados" passará "por Portugal a caminho da Terra Santa," que o novo rei decide avançar para Santarém. "A 15 de Março de 1147, D. Afonso Henriques conquistou Santarém, deixando assim em aberto o caminho para esta cidade em aberto antes que chegassem os cruzados," que acabaram por sair de Inglaterra, a "19 de maio" desse ano.


A armada emtrou em Portugal pela "cidade do Porto a 16 de Junho," tendo ali sido "convencidos pelo bispo do PortoPedro II Pitões, a tomarem parte na projectada operação militar," encabeçada por D. Afonso Henriques. Os primeiros cinco navios dos cruzados acabaram por se adiantar "em direcção à foz do Tejo, junto da qual já se encontrava acampado Afonso Henriques com a hoste portuguesa." Encontraram-se perto de Lisboa e reuniram-se com o rei, tendo ficado decidido entre eles que "a cidade ficaria para o rei e o saque para os cruzados." No mesmo dia, "foram enviados" para negociar com os muçulmanos, "o arcebispo de Braga, o bispo do Porto e alguns cruzados," que entregaram "uma proposta de rendição" que "depois de trocados alguns reféns, é recusada."


De uma das investidas feitas às muralhas da cidade, fica o ato de Martim Moniz, Cavaleiro Templário, que ao ver o portão do castelo (porta norte) prestes a fechar-se, terá avançado e o seu corpo terá ficado entalado entre as portas, permitindo assim a entrada dos seus companheiros enquanto ele próprio agonizava. Entre outros atos de bravura, este seu gesto terá sido amplas vezes relatado como um ato de entrega pela sua Pátria, uma vez que, fisicamente, ele abriu de facto um dos acessos para que fosse possível reconquistar Lisboa. Foi em sua honra, que no local onde ocorreu este facto que uns dizem "histórico" e outros "lendário", se encontrava noutros tempos "um busto do herói. Numa placa epigráfica de mármore, sobre a porta, colocada por um descendente da família Vasconcelos em meados do século XVII," dizia:



"El-Rei dõ Afonso Henriques mandou aqui colocar esta statua e cabeça de pedra em memória da gloriosa morte que dõ Marti Muniz progenitor da família dos Vasconcelos recebeu nesta porta quando atravessando-se nela franqueou aos seus a entrada com que se ganhou aos mouros esta cidade no ano de 1147."


O grupo não era formado apenas por portugueses. Entre os Cruzados encontravam-se ingleses, normandos e flamengos que a 18 de outubro começaram a "empurrar em direcção às muralhas" uma das várias torre móveis que foram construindo. Este tipo de "trabalho de aproximação," era liderado por engenheiros entre os quais alguns italianos. A oposição não se fazia esperar de cada vez que se aproxiamavam, por exeplo, através do lançamento de grandes pedras. "No final da tarde de 20 de outubro," esta torre acabou por ficar "isolada dos restantes combatentes com o subir da maré e, durante toda a noite, os muçulmanos atacaram-na várias vezes, porém foram sempre rechaçados pelos cerca de 200 ingleses, normandos e portugueses que a defendiam." Paela manhã de 21 de outubro, "os muçulmanos tentaram uma última investida contra a torre mas a maré já tinha" recuado e "foram definitivamente obrigados a recolherem-se ao interior da cidade com a chegada de reforços dos atacantes."


Os muçulmanos començavam a fraquejar e acabaram por manifestar o desejo de se renderem. Perante o pedido de tréguas, o "rei D. Afonso Henriques enviou à cidade uma delegação composta por Fernão Peres de Soverosa e Harvey de Glanville." Depois de várias desavenças entre os cruzados, teve D. Afonso Henriques de se impor e de ordenar aos "líderes dos cruzados" que lhe jurassem "fidelidade" e que controlassem "os seus homens," de forma a "garantir que a tomada de posse da cidade" fosse "feita de forma ordeira."


A 25 outubro de 1147, Lisboa é finalmente libertada do domínio mouro, após um cerco implacável que fez muitas vítimas de ambos os lados. Apesar do acordo inicial com o rei, os cruzados flamengos e alemães, "começaram a pilhar descontroladamente as casas e templos de muçulmanos, judeus e moçárabes, tendo até chegado a matar o bispo moçárabe." Nesse mesmo dia, começou a saída da "população muçulmana e judaica da cidade, que rumou às povoações em redor ou até SilvesSevilhaCórdova ou Algeciras."


Nos dias seguintes, "Sintra e todos os castelos em redor da cidade e associados à sua defesa entregaram-se a D. Afonso Henriques. Coina e Palmela foram abandonadas pela suas guarnições muçulmanas e, juntamente com Almada, foram ocupadas por forças portuguesas," o que viria a permitir "o reforço e a consolidação desta linha do Tejo" que mais tarde, ajudaria ao "avanço mais rápido e mais progressivo para sul com D. Afonso Henriques" e com os seus sucessores.


No livro de Isabel Stilwell, "D. Teresa: Uma mulher que não abriu mão do poder" podemos encontrar referências a este episódio histórico.


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Cerco_de_Lisboa_(1147)


https://pt.wikipedia.org/wiki/Martim_Moniz


https://ensina.rtp.pt/artigo/o-fim-do-cerco-de-lisboa/

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