1925 - 100 anos

1925 foi um ano de grande instabilidade política e social no nosso país e na Europa. Portugal contou, com cinco governos e dois presidentes - Manuel Teixeira Gomes e Bernardino Machado. A República, nascida apenas 15 anos antes, parecia andar ao desgoverno e só neste ano de 1925 se registaram duas importantes "revoltas militares:" a primeira ocorreu a 18 de abril e ficou conhecida como "o golpe dos generais." A segunda ocorreu a 19 de julho e ficaria na história como a "revolta de Mendes Cabeçadas."


A 2 de janeiro o governo reconhece a URSS e seguem-se várias manifestações da CGT e da Federação Nacional das Cooperativas. 


"No dia 11 de Fevereiro, a Câmara dos Deputados aprova uma moção de desconfiança ao governo, em nome do prestígio da força pública, da disciplina militar e da ordem pública, com o chefe do governo a considerar que o parlamento quer que o governo espingardeie o povo." Esta sessão ficaria marcada pelo arremesso de um "copo de vidro atirado como argumento" e da existência de "bombistas" na assistência e a que se seguiria uma "nova vaga de manifestações pró-governamentais" com início a "13 de Fevereiro, com comícios em Lisboa, Coimbra, Faro, Évora e Figueira da Foz."


A 15 de fevereiro de 1925, "é constituído o 36º governo republicano, chefiado por Vitorino Máximo de Carvalho Guimarães (1876-1957), do Partido Republicano Português" e que duraria "apenas 136 dias."


O Golpe dos Generais terá tido organização do "capitão-de-fragata Filomeno da Câmara," auxiliado pelo "general João José Sinel de Cordes, pelo coronel Raul Augusto Esteves e pelo capitão Jaime Baptista, foi uma revolta de grande magnitude, envolvendo, pela primeira vez desde 1870, oficiais generais no ativo." Este movimento surgiu após a publicação de "boatos de uma tentativa de revolta monárquica," que aconteceu no dia 5 de Março." Esta revolta teve também "o apoio da Cruzada Nun’Álvares" e envolveu "pelo menos 61 oficiais, tendo, entre os líderes militares Sinel de Cordes, Gomes da Costa, Raul Augusto Esteves e Alfredo Augusto Freire de Andrade, e, entre os conspiradores civis, Antero de Figueiredo, Carlos Malheiro Dias, José Adriano Pequito Rebelo e Martinho Nobre de Melo." Os revoltosos ocuparam a "Rotunda, com o batalhão de metralhadoras, o batalhão de sapadores de caminhos-de-ferro e a artilharia de Queluz." 


A 4 de março, o "tenente Teófilo Duarte elogia o fascismo italiano," criticando o "socialismo de Estado, bem como o movimento das forças económicas que se arrogam a pretensão de substituir as forças políticas na governança do Estado" português. A 5 de março, "três oficiais monárquicos tentam apossar-se do quartel-general da guarnição militar de Lisboa."


Já o segundo Golpe, "foi uma tentativa de golpe militar contra o governo da Primeira República Portuguesa levado a cabo no domingo, dia 19 de Julho de 1925, por um grupo de militares, na sua maioria da Armada, liderados pelo então capitão-de-fragata José Mendes Cabeçadas." Depois do golpe de 18 de abril, António Sérgio afirma "aceitar a possibilidade de uma certa ditadura preparadora de uma verdadeira Democracia e de um governo nacional extraordinário. Uma ditadura de reforma, lealíssima, que saiba o que quer e diga o que quer, que queira realmente aquilo que diz, e nos convença pela clara Ideia, antes de vencer pelo canhão." Estavam lançadas as primeiras pedras que fechariam os muros da liberdade e que até a "Seara Nova" acabaria por antever.


A 15 de maio desse mesmo ano, a "Legião Vermelha promove um atentado contra Ferreira do Amaral. Segue-se a prisão de cerca de uma centena de terroristas que foram deportados para África."


As "oitavas eleições presidenciais portuguesas e últimas da Primeira República," decorreram a "11 de dezembro de 1925," um dia depois da renúncia "de Manuel Teixeira Gomes." Foram presididas por "António Xavier Correia Barreto," e delas saiu eleito como Presidente da República, "Bernardino Luís Machado Guimarães, o único Presidente a ser eleito por duas vezes não-consecutivas." Uma das primeiras medidas de Bernardino Machado, seria "indigitar o governo do democrático António Maria da Silva."


Pela Europa, 1925 é marcado pela "fundação das SS como guarda pessoal de Hitler" e pelo "reforço dos poderes ditatoriais na Itália subordinada ao fascismo de Mussolini."  Estaline governava na União Soviética." mortes em massa, ódios em massa, destruições em massa – de vidas, povos, cidades.


 


Neste mesmo ano, morreu Sacadura Cabral, desaparecendo "no nevoeiro, algures sobre o Mar do Norte," com os destroços do seu avião, a serem "recuperados quatro dias depois." Foi também em 1925 que surgiu a Sociedade Portuguesa de Autores, a 22 de maio. 


Como curiosidade, sabiam que foi neste ano também que se fundou o Atlético Clube de Arrentela e o Seixal Futebol Clube, ambos do Seixal? Parabéns pelo Centenário!


Fontes:


https://osaldahistoria.blogs.sapo.pt/nos-cornos-de-1925-148460


https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_de_18_de_Abril_de_1925


https://pt.wikipedia.org/wiki/Revolta_de_19_de_Julho_de_1925


https://www.leme.pt/magazine/acontecimentos-do-ano/1925/


https://pt.wikipedia.org/wiki/Elei%C3%A7%C3%B5es_presidenciais_portuguesas_de_1925


https://www.publico.pt/2025/01/02/opiniao/opiniao/19252025-seculo-povo-seculo-polvo-digital-2115784


https://maltez.info/respublica/portugalpolitico/acontecimentos/1925.htm

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