O elevador da Glória
O acidente do Elevador da Glória, ocorrido a 3 de setembro deste ano, traz-nos à memória o desenvolvimento industrial e da engenharia dos finais do século XIX. Localizado em pleno coração de Lisboa, este ascensor "faz a ligação entre a Praça dos Restauradores, na Baixa, e o Jardim de São Pedro de Alcântara, no Bairro Alto." Os dois ascensores, que no dia 3 sofreram um gravíssimo acidente, faziam este "curto percurso dezenas de vezes por dia — são 265 metros, com uma inclinação de 17%."
O Elevador da Glória pode mesmo ser considerado como um exemplo do desenvolvimento da "engenharia do século XIX", que viria ao longo do século XX" a sofrer diversas alterações para lhe permitiram adaptar-se "ao crescimento constante da cidade e ao seu uso."
Atualmente, podemos dizer que a engenharia foi evoluindo de forma a adaptá-lo às exigências do "século XXI, combinando tradição histórica com sistemas de segurança modernos."
Em 1882, "a autarquia" de Lisboa "aprovou uma licença de construção e exploração de elevadores e funiculares movidos a tração mecânica ao engenheiro portuense de origem francesa Raoul Mesnier Ponsard (1848-1914)."
"Foi ele o responsável por todos os elevadores e funiculares de Lisboa, assim como projetos semelhantes em Braga, Porto, Nazaré e Funchal, nos Açores," tendo este ascensor por ele projetado, sido inaugurado a 24 de outubro de 1885, "constituindo-se no segundo do género implantado na cidade por iniciativa da Nova Companhia dos Ascensores Mecânicos de Lisboa." O primeiro tinha sido o da Lavra.
"O sistema de tração original era de cremalheira e cabo equilibrado por contrapeso de água, passando mais tarde a ser a vapor." Quando o sistema foi criado, "era usado o contrapeso da água, em que cada carruagem tinha grandes tanques de água na parte traseira e dianteira e a força da gravidade movia o sistema através do peso da água," tendo cada vagão dois tanques que enchiam e vazavam à vez.
Só em "setembro de 1915," o elevador "passou a ser movido por eletricidade". Este e outros ascensores foram "classificados desde 2002 como Monumentos Nacionais."

O funicular da Glória "funciona com dois vagões interligados (nº 1 e nº 2) que se deslocam simultaneamente em direções opostas, cruzando-se na metade do percurso. Enquanto um vagão sobe, o outro desce, permitindo que haja sempre uma carruagem em cada extremo da linha."
Devido não só à sua localização, como também à sua relevância histórica, é um dos transportes do género "mais usados da capital e, embora o seu trajeto seja curto (cerca de 275 metros percorridos em aproximadamente três minutos), é bastante útil para subir a íngreme Calçada da Glória."
"Chegou a ter dois pisos, com bancos longitudinais. No andar de baixo, os passageiros viajavam de costas para a rua e no andar de cima, podiam apreciar a vista virados para a rua."
Em setembro de 1915, o elevador passou a ser movido por eletricidade, sistema que mantém até hoje.

A partir de "1926, a exploração do Elevador da Glória passou da Companhia de Ascensores Mechanicos de Lisboa para a Companhia de Carris de Ferro de Lisboa."
"Nessa altura foi construído, do lado da Praça dos Restauradores, um abrigo para os passageiros que hoje já não existe."
Comentários
Enviar um comentário