1 de novembro - o sismo que destruiu Portugal

No dia 1 de novembro de 1755, ocorreu um forte sismo - que se pensa ter tido uma magnitude entre 8,7 a 9 - e que resultou "na destruição quase completa da cidade de Lisboa, especialmente na zona da Baixa" - mas não só, como veremos mais à frente. Ao sismo seguiu-se um "maremoto - que se crê tenha atingido a altura de 20 metros" - além de "múltiplos incêndios. O número de mortos é ainda incerto - há registos que os colocam nos "10 mil mortos," enquanto outros falam em cerca de "90 mil". Já se passaram 270 anos.


Nesta data, já se celebrava "o feriado do Dia de Todos-os-Santos" e as ruas e as igrejas encontravam-se cheias, havendo muitas velas acesas nos altares e nas casas dos fiéis. O abalo terá sido muito forte e demorado, o que levou à queda de muitas pedras, paredes e chaminés. Perante os "vários desmoronamentos," quem sobrevivia procurava "refúgio na zona portuária" pois ali não havia paredes que ruíssem. E é ali que começa,m a assistir "ao recuo das águas, revelando o fundo do mar cheio de destroços de navios e cargas perdidas. Poucas dezenas de minutos depois, um tsunami, que atualmente se supõe ter atingido pelo menos seis metros de altura," - ou chegado aos 10 metros, segundo outros - "fez submergir o porto e o centro da cidade, tendo as águas penetrado" mais de 250 metros adentro da costa.


Não nos podemos então esquecer que não foi só a cidade de Liasboa a ser destruída. O "sul de Portugal, sobretudo o Algarve, foi atingido e a destruição" não só do sismo, mas muito mais do "maremoto que se seguiu," levou à destruição de diversas "fortalezas costeiras" e de inúmeras habitações, "registando-se ondas gigantes" que podem ter atingido os 30 metros. O sismo e o maremoto foi ainda sentido nos Açores e na Madeira.


Mais, o sismo repercutiu-se praticamente por "toda a Europa e norte da África. As cidades marroquinas de Fez e Meknès sofreram danos e perdas de vida consideráveis." Safim e Agadir, no norte de África foram também atingidos pelo maremoto,que incrivelmente se terá estendido "até ao norte da Europa, nomeadamente até à Finlândia." Vir-se-ia ainda a saber que também "AntíguaMartinica e Barbados," Gibraltar, Sevilha, CádisHuelva e Ceuta, haviam sido afetados. 


Das perdas desse dia, contam-se também "os seis hospitais da cidade, incluindo o de Todos-os-Santos" além dos trinta e três "palácios da grande nobreza, o Palácio Real, a Patriarcal, o Arquivo Real, a Casa da Índia, o Cais da Pedra, a Alfândega palácios, igrejas, bibliotecas, a faustosa Ópera do Tejo, inaugurada sete meses antes..." Além da destruição causada pela natureza e pelos incêndios que deflagraram, hove também quem tivesse aproveitado "a oportunidade para saquear palácios e igrejas."


O rei era D. José I, que se encontrava com a sua família "no Palácio Real de Belém," sobrevivendo assim ao desastre. "A zona de Belém, considerada à época um dos arredores da cidade, era povoada por apenas palácios e quintas, não tendo por isso sofrido de forma tão devastadora os efeitos do terramoto."


Este evento, acabou por ter um "enorme impacto político e socioeconómico na sociedade portuguesa do século XVIII," marcando o nascimento de uma nova Lisboa e de mudanças profundas no Reino. Foi Sebastião José de Carvalho e Melo, conhecido como "Marquês de Pombal," quem liderou "os esforços de reconstrução, aplicando medidas urbanísticas inovadoras que moldaram a Lisboa moderna." É através de relatos, mandados recolher pelo Marquês de Pombal, que hoje se sabe que "em Lisboa, o sismo terá durado sete a nove minutos, com três vagas de abalos - o segundo sendo o mais violento de todos -, e com intervalos curtos. De acordo com esses documentos e graças a uma profunda pesquisa no campo da sismologia, permitida pela evolução dos métodos e instrumentos de registo, é possível estimar o sismo de 1755 com uma magnitude entre 8.5 e 9."


Após o sismo de 1755, nascia "uma cidade nova, muito moderna para a época em que foi construída e, pormenor importante, edificada de acordo com um sistema anti-sísmico – a famosa estrutura flexível de madeira dos edifícios, «em gaiola»."


Por outro lado, a sociedade também sofreu uma mudança profunda, com clara influência no "pensamento filosófico e científico da época, especialmente sobre questões religiosas e de justiça divina, numa Europa iluminista que começava a questionar os fundamentos do mundo natural." Com esta catástrofe vieram-se a "equacionar questões importantes que mexiam com a religião, com os conceitos filosóficos, com o papel atribuído ao homem no palco do mundo."


Fontes:


https://pt.wikipedia.org/wiki/Sismo_de_Lisboa_de_1755


https://elsafilipecadernodiario.blogs.sapo.pt/por-ca-e-feriado-370856


https://www.chlc.min-saude.pt/hospital-de-sao-jose/


https://sicnoticias.pt/pais/2024-11-01-terramoto-de-1755-lisboa-recorda-o-dia-em-que-a-terra-tremeu-e-o-mar-engoliu-a-cidade-739e1a6a


https://aventar.eu/2010/02/07/o-terramoto-de-1755-e-a-cultura-europeia-da-epoca/


https://lisbonquake.com/blog/ler-mais-catastrofe-natural

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