25 de novembro - o que aconteceu no pós 25 de abril?
"Costa Gomes, que apoiava o programa do MFA," recebe então nas mãos a Presidência da República e dá apoio a "Vasco Gonçalves, à frente do Governo Provisório," para que este possa "prosseguir a descolonização e instituir a liberdade sindical, a greve, o salário mínimo nacional, a redução das horas de trabalho e o subsídio de desemprego." Entre outras coisas, foi criado o "Conselho da Revolução e a Assembleia do MFA." É ainda estabelecido "o Pacto MFA/Partidos, que obrigava a incluir as conquistas de abril na constituição." Foram decretadas "nacionalizações" e "reconheceu-se o poder popular." No que ao Conselho da Revolução concerne saber, este era um "órgão que, na teoria, era conselheiro do Presidente da República, mas que, na prática, governava o país, sem que nada passasse sem a sua aprovação."
Nos meses seguintes o país assistiria a uma série de episódios de violência de grupos mais ou menos organizados da extrema-esquerda e da extrema-direita, e a ameaça de uma guerra civil era real. "Os operários expulsavam das empresas patrões e gestores. Nos campos os terrenos e as herdades eram ocupados pelos camponeses." Por seu lado, uma grande parte das forças políticas, "temia uma radicalização excessiva do país em direção ao comunismo, o que levou a um confronto entre os setores mais moderados e os mais radicais na sociedade portuguesa."
"O golpe militar de Spínola," que ocorre a 11 de março de 1975, com o apoio da Direita, "acabou por provocar" uma ainda "maior inflexão à esquerda," dando "mais força ao governo de Vasco Gonçalves, que defendia políticas mais revolucionárias." Mesmo assim, neste clima de grande instabilidade, houve eleições para a "Assembleia Constituinte no dia 25 de abril de 1975", as quais não deixaram de acentuar "as divergências entre os diferentes projetos políticos." As principais questões estavam ligadas às Divisões Ideológicas, às nacionalizações, rapidamente implementadas nos "setores-chave da economia" e às "reformas sociais" que provocaram grandes "tensões entre os diferentes grupos políticos, especialmente entre os setores mais conservadores e os representantes das forças armadas." Havia ainda uma divergência evidente entre o poder popular e o poder militar, com as "forças armadas, inicialmente unidas na Revolução dos Cravos," a dividirem-se "em fações com visões diferentes sobre o papel militar na governação."
Nos meses que separaram o 25 de abril do 25 de novembro, não foram escassas as "prisões arbitrárias, a apropriação ilegal de propriedade privada, a censura de partidos considerados de Direita e a expurgação de pessoas com ideologias diferentes" da Esquerda ou da Extrema-esquerda.
Nestas eleições, o "Partido Socialista (PS) obtém a vitória com a eleição de 116 Deputados, seguido do Partido Popular Democrático (PPD) com 81 Deputados, do Partido Comunista Português (PCP) com 30 Deputados, do Partido do Centro Democrático e Social (CDS) com 16 Deputados, do Movimento Democrático Português (MDP-CDE) com 5 Deputados, da União Democrática Popular (UDP) com 1 Deputado, e da Associação de Defesa dos Interesses de Macau (ADIM) também com 1 Deputado." Começam os trabalhos, mas os meses que se seguiram "caraterizaram-se pelo agravamento da tensão e da violência políticas," colocando "em confronto duas tendências: os defensores da “via revolucionária” e os defensores do “modelo europeu de democracia”."
Em julho, "Vasco Gonçalves propõe recentrar a autoridade no Conselho da Revolução, e a liderança política num diretório que incluiria também Costa Gomes," bem como "Otelo Saraiva de Carvalho." Mas o “Grupo dos nove”, um conjunto de militares moderados e pertencentes ao Conselho da Revolução, propõem," cerca de "um mês depois, que o poder seja exercido pelos partidos políticos. São afastados do Conselho na sequência dessa tomada de posição."
Um grupo de "oficiais das Forças Armadas," de uma ala mais moderada, forma o que ficaria conhecido como o "Grupo dos Nove" e que é liderado por Melo Antunes. A 7 de agosto de 1975, publicam no "Jornal Novo, um documento" que ficaria conhecido como "Documento dos Nove" ou "Documento Melo Antunes" e que tinha "em vista a clarificação de posições políticas e ideológicas dentro e fora do Movimento das Forças Armadas," mostrando a sua oposição "às teses políticas" que haviam sido apresentadas num outro documento ("Aliança Povo/MFA, apresentado a 8 de julho de 1975)". O jornal teve sucesso e o documento acabou por ser distribuído pelos quartéis, obtendo "a adesão de mais de 80% dos oficiais."
Este grupo de militares, apresentava como ideal uma sociedade "sem classes", recusando "tanto o modelo socialista da Europa de Leste" como o modelo "social-democrata da Europa Ocidental." Defendiam pelo contrário "um projecto socialista alternativo baseado numa democracia política, pluralista, nas liberdades, direitos e garantias fundamentais." Esta constituiu uma marcação de posição bem clara "contra a tentativa de tomada de poder pelo PCP," que no seu entender queria levar o país a seguir firmando que "o caminho (...) cada vez mais próximo do modelo soviético”. Outros grupos defendiam ideias diferentes, mas na sua maioria os ideiais defendidos eram socialistas.
No dia 12 de novembro de 1975, uma manifestação, constituída maioritariamente por trabalhadores da construção civil em luta pela assinatura do contrato coletivo de trabalho, cerca o Palácio de São Bento." Naquele dia, decorriam trabalhos na Assembleia Constituinte, e o governo, em consequência declara dias depois que "entra em greve por falta de condições para exercer o seu mandato."
Fontes:
https://ensina.rtp.pt/artigo/25-de-novembro-uma-tentativa-de-golpe-falhada/
https://ensina.rtp.pt/explicador/o-25-de-abril-de-1974-e-o-processo-revolucionario/
https://app.parlamento.pt/comunicar/V1/202104/72/artigos/art2.html
https://ensina.rtp.pt/artigo/1975-foi-ano-de-prec/
https://pt.wikipedia.org/wiki/Grupo_dos_Nove
https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/IGoverno.aspx
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