O maior burlão português
Passados 100 anos, Alves dos Reis continua a ser considerado como o maior burlão português. A 6 de dezembro de 1925, é preso deixando atrás de si um imenso rasto de fraudes e burlas, que envolveram o estado portugês, o Banco de Portugal e a fundação de um Banco em Angola!
Alves dos Reis nasceu em Lisboa em 1896, revelando desde cedo um "talento invulgar para a mentira, a falsificação e o improviso." Em 1916, depois dev casar e apesar de trabalhar como "funcionário público nas obras públicas de esgotos", vai para Angola, levando consigo um diploma que o tornava engenheiro: um documento falso de uma escola de engenharia que nem sequer existia e que ficava em Oxford. Com cheques sem cobertura, adquiriu a "maioria das ações da Companhia dos Caminhos de Ferro de África. Tornou-se rico e ganhou prestígio," para gáudio da família da sua esposa, Maria Luísa Jacobetty de Azevedo.
Em 1922, volta a Lisboa e estabelece um negócio de "revenda de automóveis americanos. Depois, tentou apoderar-se da Companhia de Ambaca. Para o conseguir, passou cheques sem cobertura e usou depois o dinheiro da própria sociedade para cobrir os cheques sobre a sua conta pessoal." Com os valores adquiridos, comprou "a Empresa Mineira do Sul de Angola (EMSA)." É preso por "desfalque", devido a alguns cheques em branco e documentos falsificados, mas também devido ao "tráfico de armas," em 1924 e é durante os "54 dias em que esteve preso," que acaba por articular o seu maior plano: "falsificar um contrato em nome do Banco de Portugal, o banco central emissor de moeda, de forma a obter notas ilegítimas, mas impressas numa empresa legítima, com a mesma qualidade das verdadeiras."
Alves dos Reis, juntamente com alguns cúplices, consegue forjar um pedido de "200 000 duplicados à empresa britânica Waterlow & Sons, responsável pela impressão das notas para o Banco de Portugal." O golpe estaria pronto com a falsificação das assinaturas do "governador e do vice-governador daquela instituição bancária," e as notas falsa foram colocadas a circular. Passaram notas com o mesmo número de série, pois seriam para circular em Angola. Ao que se sabe, o "número total de notas colocadas a circular ilegitimamente era quase tão elevado como o de notas legítimas," perfazendo o equivalente a 1% do PIB português de então. As notas, fabricadas em Inglaterra, vinham depois para Portugal com a ajuda de vários cúmplices, passando na alfândega graças aos selos diplomáticos. Uma boa parte da burla era conjeturada em Haia, na Holanda, algumas das reuniões ocorreram em Paris, França. Naquela época, uma nota de 500$00 (escudos) valia muito dinheiro, pois um homem simples precisaria de trabalhar várias semanas para ganhar 100 escudos!
Chegadas a Portugal, e na "impossibilidade de distinguir as originais das falsas," o Banco de Portugal viu-se obrigado a mandar recolher todos os exemplares, "retirou de circulação todas as notas desse montante, assegurando a sua troca." Do dinheiro posto a circular, Alves dos Reis fica apenas com 25%, valor que "serviu para fundar o Banco de Angola e Metrópole (BAM), em Junho de 1925," do qual seria ele o presidente. "Para obter o alvará de abertura deste banco junto do Conselho do Comércio Bancário, recorreu mais uma vez, a diversas falsificações. Comprou também o Palácio do Menino de Ouro (atualmente o edifício do British Council, em Lisboa) ao milionário Luís Fernandes, adquiriu três quintas e uma frota de táxis." Esbanja ainda em "jóias e roupas caras para si e para a sua mulher." Tenta sem sucesso comprar o "Diário de Notícias." Investiu na bolsa e comprou ações, chegando mesmo a ser detentor, em "novembro de 1925," da avultada quantia "de 10.000 ações do Banco de Portugal." Em dezembro de 1925 seria detido e cinco anos depois viria a ser condenado. Consigo arrastaria os seus cúmplices e a sua mulher e praticamente colocara na lama o nome do Banco de Portugal.
Outros burlões se seguiram - alguns até envolvendo valores muito mais altos - mas Alves Reis será sempre o homem que enganou o Banco de Portugal e o próprio Estado Pportuguês.
Fontes:
https://www.parlamento.pt/Parlamento/Paginas/Burla-Alves-dos-Reis.aspx
https://www.bportugal.pt/arquivo/details?id=48694
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